Governo cria barreira para frear importações ao Brasil

27 Janeiro 2009

 

da Folha Online

 

Em uma decisão que pegou de surpresa as empresas de comércio exterior, o governo passou a adotar nesta segunda-feira (26) uma série de barreiras não-tarifárias à entrada de produtos importados, revela reportagem de Guilherme Barros na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

 

O Siscomex, o sistema usado para controlar o comércio exterior, vai exigir a apresentação da licença de importação prévia, a chamada LI, para quase todos os produtos que entram no país. Na prática, a medida significa a volta do sistema de controle das importações adotado pelo país nas décadas de 70 e 80, quando o Brasil era um pequeno exportador e importava 80% do petróleo que consumia.

 

O que mais chamou a atenção foi a forma com que o governo comunicou a decisão ao setor. Em vez de uma portaria ou uma comunicação formal, o Ministério do Desenvolvimento anunciou a nova medida por meio de uma nota publicada na sexta-feira passada no Siscomex.

 

A lista de produtos com entrada restrita é ampla e abrange praticamente toda a pauta de importações do país: produtos de moagem (trigo), plásticos, cobre, alumínio, ferro, bens de capital, material eletroeletrônico, autopeças, automóveis e material de transporte em geral, entre outros.

 

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u494837.shtml


Entre maiores países, só Brasil acelera ritmo de crescimento

10 Dezembro 2008

 

da Folha de S.Paulo

  

Com expansão 0,6 ponto percentual maior que a do segundo trimestre (de 6,2% para 6,8%), o Brasil foi o único entre as 20 maiores economias (a Turquia divulgará seus dados na semana que vem) que teve avanço maior de julho a setembro do que nos três meses anteriores.

 

Os Estados Unidos, a maior economia mundial, passaram de avanço de 2,1% no segundo trimestre para 0,7% no terceiro, e o Japão, a segunda maior, nesse mesmo período, saiu de um avanço de 0,7% para uma contração de 0,5%, sempre fazendo a comparação com o mesmo período de 2007.

 

Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a economia japonesa está em recessão (teve dois trimestres consecutivos de retração), e os EUA se contraíram de julho a setembro –o país está oficialmente em recessão desde dezembro de 2007, segundo os critérios da National Bureau of Economic Research, que considera outros indicadores além do PIB.

 

Um cenário parecido já tinha acontecido entre abril e junho. Na ocasião, só Brasil, México e Indonésia cresceram mais no segundo trimestre do que no período de janeiro a março –levando em conta os 20 maiores PIBs do mundo. Mas a Indonésia se desacelerou de 6,4% no segundo trimestre para 6,1% nos três meses seguintes, e o México teve o seu menor avanço em cinco anos, de 1,6%.

 

O resultado brasileiro do terceiro trimestre também serviu para que o país não tivesse o menor avanço dos Brics (grupo que também conta com a Rússia, a Índia e a China).

 

Agora coube à Rússia, que enfrenta queda de mais de 60% no preço do petróleo, uma das suas principais fontes de renda, o posto de país que menos cresce. O PIB russo cresceu 6,2% no terceiro trimestre, 1,3 ponto percentual menos que entre abril e junho.

 

A última vez que o Brasil não ficou, pelo menos isoladamente, com o pior resultado entre os Brics foi em 2004, quando o país e a Rússia cresceram 7,8% no segundo trimestre.

 

O crescimento de 6,8% permitiu que o Brasil conseguisse diminuir mais a diferença que o separava dos crescimentos dos demais países emergentes, especialmente China e Índia. Com o recuo da procura por seus produtos e serviços no exterior e a queda na demanda interna, a China avançou 9% de julho a setembro (a expansão no segundo trimestre foi de 10,1%), e a Índia, 7,6%, 0,3 ponto percentual menos do que entre abril e junho.

 

O Brasil também foi um dos poucos países da América Latina que continuou se acelerando (o Chile é outro caso –passou de crescimento de 4,5% para 4,8%), mas não é o que mais avança na região.

 

Como tem se tornado freqüente, a economia peruana é a que mais se expande no continente, apesar de também ter se desacelerado: cresceu 9,5% no terceiro trimestre, ante 10,5% no período imediatamente anterior.  

 

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u477439.shtml