Emprego industrial tem a maior queda desde outubro de 2003, diz IBGE

13 Janeiro 2009

 

Índice recuou -0,6% em novembro em relação a outubro.
Na comparação com novembro de 2007, houve alta de 0,4%.

 

Do G1, em São Paulo

 

O emprego industrial, que permanecia praticamente estável nos últimos três meses, recuou 0,6% em novembro com relação a outubro, a maior queda desde outubro de 2003 (-0,7%), informa nesta terça-feira (13) a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Desemprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

Segundo o levantamento, na média móvel trimestral, o índice caiu -0,2% de outubro para novembro, interrompendo a trajetória de crescimento desde junho de 2008. 

Já com relação a novembro de 2007, houve alta de 0,4%, menor acréscimo desde outubro de 2006 (0,3%). Com isso, os indicadores para períodos mais abrangentes mostraram crescimento, mas em menor ritmo do que nos meses anteriores. 

No acumulado no ano, o índice de emprego industrial registrou 2,7% em setembro, 2,6% em outubro e 2,4% em novembro e, no acumulado nos últimos doze meses, o índice também desacelerou entre outubro (2,8%) e novembro (2,5%).

 

Setores e regiões

 

Na comparação com novembro de 2007, a taxa de 0,4% no pessoal ocupado foi influenciada pelo aumento em oito dos quatorze locais pesquisados. As regiões que mais influenciaram positivamente o índice, de acordo com o IBGE, foram Minas Gerais (2,9%) e São Paulo (0,7%), onde sobressaíram alimentos e bebidas (7,7%) e metalurgia básica (8,7%), no primeiro local, e meios de transporte (3,9%) e alimentos e bebidas (3,0%), no segundo. 

 

No sentido contrário, ainda na mesma comparação, Santa Catarina (-2,8%) e Paraná (-1,6%), exerceram as pressões negativas mais relevantes, verificadas nos setores de vestuário (-14,8% e -19,0%, respectivamente) e de madeira (-11,2% e -16,6%).

Na pesquisa por setores, houve aumento do emprego em onze dos dezoito ramos pesquisados. Segundo o IBGE, as principais influências vieram de máquinas e equipamentos (6,3%), alimentos e bebidas (1,9%), minerais não-metálicos (7,5%), meios de transporte (4,1%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (4,9%). 

 

Já os setores de vestuário (-9,8%), calçados e artigos de couro (-8,2%) e madeira (-9,9%) exerceram os principais impactos negativos na taxa. 

 

Horas pagas

 

O número de horas pagas reduziu 1,7% em novembro na comparação com o outubro (já descontados os fatores sazonais). Segundo o IBGE, foi a maior queda em toda a série histórica iniciada em janeiro de 2001.

 

Com isso, o indicador de média móvel trimestral, que no mês anterior (-0,1%) interrompera uma trajetória de crescimento presente há quatro meses, intensificou o movimento de queda ao assinalar -0,5% entre outubro e novembro. 

 

“As paralisações na produção e a concessão de férias coletivas não planejadas marcaram o setor industrial a partir de outubro, se ampliaram em novembro e estão na base da variação recorde”, diz a pesquisa.

No comparação com novembro de 2007, o número de horas pagas também recuou (-0,4%), interrompendo uma série de 29 meses de taxas positivas e registrou o menor resultado desde novembro de 2005 (-0,6%).

 

Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL953316-9356,00-EMPREGO+INDUSTRIAL+TEM+A+MAIOR+QUEDA+DESDE+OUTUBRO+DE+DIZ+IBGE.html


Quem vai e quem fica

12 Dezembro 2008

 

 

As primeiras demissões da crise dão uma amostra dos setores mais afetados pelo desaquecimento da economia. Por enquanto, o cenário não atingiu boa parte dos executivos

 

 

 

Por Marina Izidoro

Você S/A

 

 

Quem está mais abaixo na pirâmide corporativa e trabalha nos setores mais atingidos pela falta de crédito, por hora, vem sofrendo mais com os efeitos da crise global sobre o emprego. A indústria automobilística, o segmento imobiliário e os grandes exportadores concentraram boa parte das demissões nos últimos meses. É o caso da Vale, que no início do mês anunciou a demissão de 1 300 funcionários, sendo que 260 desses postos de trabalho serão fechados nas plantas da siderúrgica em Minas Gerais. A empresa divulgou que dará férias coletivas a 5 500 empregados, 80% deles em Minas.

 
No setor de autopeças, a TRW demitiu, em novembro, 89 funcionários na sua principal fábrica no país, em Limeira, interior de São Paulo, que emprega 2 200 trabalhadores. O motivo, segundo a companhia, foi a queda nas exportações, principalmente para os Estados Unidos. A Sabó, outra grande do setor, demitiu cerca de 80 pessoas em meados de outubro. A indústria de autopeças prevê um total de demissões de 7 500 pessoas até o final deste mês. No mesmo mercado, a Volvo, fabricante sueca de ônibus e caminhões com sede em Curitiba, no Paraná, dispensou 430 funcionários da fábrica no estado (150 efetivos e 280 temporários) e outros 100 da planta de Pederneiras, em São Paulo, por causa do desaquecimento do mercado doméstico e da diminuição nas exportações.

 

As demissões são uma tentativa de ajuste ao futuro, depois de um ano de vacas gordas. A expectativa da Volvo é que as vendas de caminhões e ônibus caiam entre 10% e 20% no país em 2009. Mesmo assim, a fabricante fecha o ano com 2 410 funcionários, 17 a mais do que tinha no fim do ano passado. No mercado imobiliário, outro atingido em cheio pela retração do crédito, as empresas que têm capital aberto, como Lopes e BR Brokers, que atuam na área de consultoria de imóveis, preferiram falar em corte de custos em seus últimos balanços trimestrais, e não em demissões. Na prática, a primeira demitiu cerca de 60 funcionários e a segunda fez um corte de 20% do quadro. 

 

COMPASSO DE ESPERA

 

As demissões são o sinal mais evidente de que a crise começa a afetar o mercado de trabalho. Como conseqüência, a Michael Page, consultoria de busca de executivos com escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo, demitiu 40 consultores no início de dezembro. Neste primeiro momento, as consultorias mais atingidas são aquelas que recrutam profissionais nas faixas de média e baixa gerência, como é o caso da Michael Page. Na Fesa, empresa de recrutamento de executivos de São Paulo, os números de outubro já demonstravam o sentimento de apreensão que tomou conta do mercado. “Tivemos uma queda de 13% na procura em relação a setembro. As companhias estão reticentes”, diz Alfredo Assumpção, sócio da consultoria. Alfredo, no entanto, engrossa o coro de que os cortes não devem se espalhar por todos os setores. “Não acredito que haverá grande número de demissões, principalmente entre as organizações que atuam no mercado interno, que estão com suas contas saneadas e não dependem de financiamento.” Vale lembrar que parte dessas empresas que demitem agora, como é o caso da Michael Page, fez muitas contratações no primeiro semestre e agora precisa se ajustar. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que nos primeiros dez meses do ano houve recorde de novos postos de trabalho. A última pesquisa da DBM, consultoria de recolocação, de São Paulo, mostrou que a contratação de executivos subiu 50% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2007. “Muitas empresas devem diminuir o ritmo dos processos, mas não estancar a abertura de vagas”, diz Cláudio Garcia, presidente da DBM. É esperar para ver.

 

Disponível em: http://vocesa.abril.uol.com.br/edicoes/0126/aberto/materia/mt_408340.shtml