http://pt.wikipedia.org/wiki/Chevette
Por Luciano Holanda
Certo dia, estou vagando por uma das vias principais da minha pacata, maravilhosa e arborizada cidade quando sinto a necessidade de abastecer o carro. Como bom brasileiro o carro é uma verdadeira paixão e abastecer não é só parar em qualquer posto, entregar a chave ao frentista e o cartão de crédito em seguida. Abastecer é um relacionamento construído há longas datas. Mas, como eu estava longe de onde comumente abasteço não quis arriscar a pagar o mico de ficar no prego, com a chamada pane seca.
Sinaleira ligada indicando virada a direita, lá vou eu em direção ao primeiro posto no trajeto. Chegando lá o que me chamou atenção não foi a presteza do pessoal de frente, nem tampouco o valor da gasolina registrada ali, mais sim, um veículo parado no estacionamento defronte a loja de conveniência com a placa “vende-se”. E é bom que fique registrado que não era um veículo qualquer, um popular desses de hoje em dia, era um Chevette 76, bege, pintura impecável e aparentemente “todo em cima”.
E em cima era a pedida pelo possante, R$18.000,00. Bom, parei para analisar com mais critério e confesso que não achei o que pudesse justificar tal investimento a não ser os anos acumulados e o iminente título de relíquia. Pedi explicação.
A resposta que veio de lá foi a seguinte: tuning.
É isso mesmo senhores e senhoras, com o advento do tuning, palavra inglesa que significa afinação, o mercado passou a vender um carro com a nossa idade pelo preço de um atual. As modificações externas (no visual do veículo) e internas (suspensão, motor e performance) garantem ao proprietário a satisfação de pilotar um carro totalmente personalizado, diferente dos demais, e é isto que vem arrastando inúmeros adeptos as equipadoras e lojas de autopeças.
Pode-se gastar entre R$ 5.000,00 a mais de R$ 100.000,00 num projeto de tuning. Esta variação é observada pelo nível de “mexida” no carro, que vai desde turbinar motores, preparar a suspensão, colocar rodas de liga leve importadas com diâmetro superior a 20 polegadas e pneus de alto desempenho, projetos de sonorização, pinturas especiais e detalhes no acabamento interno.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) o mercado de veículos tunados ou personalizados observou um crescimento em torno de 30% nos últimos 3 anos ¹. Isto representa um investimento de R$ 700 milhões por ano em peças, acessórios e serviços e já vem motivando os empresários do setor a se anteciparem a onda e produzirem equipamentos cada vez mais sofisticados.
Depois destas pequenas considerações, o preço do carro parece até aceitável, o que vocês acham?
¹ Dados de 2005 – Disponível em: http://ibahia.globo.com/tvbahia/comercial/pdf/mercado_de_tuning.pdf
Escrito por lucianoholanda